10-07: Onde anda Joaquim Levy?

LevyAs linhas: ” Recrutado por Dilma Rousseff na diretoria do Bradesco, Joaquim Levy exibiu desenvoltura surpreendente nos seus primeiros dias como do ministro da Fazenda. Revelou um insuspeitado talento para a articulação política. Mudou-se para as manchetes. Jantava e almoçava com parlamentares. Transitava pelo Congresso. Guerreou pelo ajuste fiscal como poucos. Súbito, recolheu-se. Nesta quarta-feira (8), dia de más notícias na economia, o deputado Roberto Freire notou a ausência do personagem: ‘Fato estranho acontece no governo Dilma’, anotou Freire no Twitter. ‘Ministro da Fazenda sumiu. Ajuste, MP do desemprego, inflação, crise econômica e Levy calado, desaparecido.’ (Fonte: Blog do Josias de Souza, UOL – 9jul2015)

As entrelinhas: A última notícia que se teve do poderoso Ministro Levy foi sua desobediência a ordem médica, confirmada pelo seu especialista*, embarcando para os EUA e juntando-se à comitiva da Presidente Dilma, após internação hospitalar para cuidar de uma embolia pulmonar. A partir daí, incluindo a referida visita ao país norte-americano, nenhuma manchete gerada pelo Ministro, artífice do grande, doloroso e necessário processo de ajuste fiscal que o Brasil precisa. O fato é que o experiente e capacitado economista e engenheiro enfrenta desconfianças declaradas de várias alas do PT, descontentes com as medidas impopulares que o Governo tenta implementar, até agora (e nem poderia ser diferente) com resultados contrários às expectativas. Vários índices cruciais para a economia do País e para o bolso do cidadão só tem piorado acentuadamente. Será que este sumiço é por ordem médica ou política? O tempo logo dirá…

*“Com diagnóstico de embolia pulmonar, ele não poderia ter viajado. O ministro Levy é um bom cumpridor de ordens econômicas, administrativas, mas médicas não”, afirmou o pneumologista Arhur Vianna. (Fonte: G1)

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09-07: Vai estourar a bolha chinesa?

XangaiAs linhas: “O regulador do mercado chinês voltou a anunciar medidas extraordinárias para travar a hemorragia na maior bolsa do país. Os acionistas qualificados, com mais de 5% do capital de empresas cotadas, ficam proibidos de reduzir a sua posição, ou seja vender ações, durante seis meses. Esta ordem é a resposta a um novo trambolhão na bolsa de Xangai que esta quarta-feira caiu quase 6%. O objetivo é assegurar a estabilidade do mercado de capitais, ameaçada por um ‘mergulho injustificável’ no valor das ações, adianta a CSFC, entidade que supervisiona a bolsa chinesa. As empresas públicas chinesas já receberam ordens para manter a sua carteira de ações em empresas cotadas e há títulos com a negociação suspensa. Foram igualmente canceladas ofertas de novas ações no mercado e introduzidos limites às transações por parte de investidores estrangeiros. É o décimo dia seguido de intervenção nos mercados financeiros, passos que até agora só fizeram aumentar ainda mais a desconfiança dos investidores, ao invés de os tranquilizar. O pacote de estímulo aos mercados procura contrariar aquilo que as autoridades apelidam de venda irracional, mas há quem alerte para a existência de uma bolha especulativa nas bolsas chinesas de Xangai e de Shenzen, onde estão cotadas as ações tecnológicas, numa economia que está a arrefecer. Entre as medidas já adotadas estão ainda o financiamento de 42 mil milhões de dólares às corretoras para comprarem ações de empresas chave, o congelamento da transação de metade das empresas cotadas e a permissão dada aos investidores para usarem a habitação como garantia dos investimentos feitos na bolsa. O corte das taxas de juro, a desvalorização do yuan e um plano de investimentos em infraestruturas, são outras iniciativas para animar a economia chinesa. O recente desempenho negativo do Xangai Composite está fazer soar os alarmes entre os investidores de todo o mundo, que estão com as atenções voltadas para a situação de impasse que se vive na Grécia, e os especialistas já avisaram que a derrocada da bolsa chinesa vai ter um impacto muito superior a nível global quando comparada com a situação grega, cuja economia vale apenas 2% da zona euro, seja qual for o desfecho da mesma. (Fonte: Observador de Portugal com Alex Hofford/EPA e Bloomberg Business)

As entrelinhas: Não estranhem que estas linhas reflitam notícias como lidas em Portugal e nos EUA. Creio interessante perceber como em outras partes do mundo os fatos são interpretados. Na manhã de nossa quarta-feira, 8, com a Bolsa de Xangai já fechada, eu li com preocupação as informações que vinham pelas agências internacionais e me surpreendeu pouco ler nos noticiários locais ao longo do dia. A importância do que está acontecendo nas grandes bolsas chinesas pode ser um prenúncio de um desastre econômico que nos dias de hoje seria uma catástrofe em um mundo que ainda se recupera dos problemas de 2008. Vamos acompanhar com atenção estes desenvolvimentos. Pode ser que a bolha chinesa, que seria infinitamente maior que o estouros das bolhas “pontocom” e “subprime”, esteja começando a murchar. Devemos estar mais atentos a estes fatos, que coincidem com o problema da Grécia na zona do Euro.

Foto encontrada em globo.com

08-07: A grande ilusão olímpica

olimpicosAs linhas: “Sem disputar os Jogos Olímpicos desde 1984, a seleção brasileira de polo aquático preparou uma estratégia ousada para chegar forte à edição de 2016, no Rio de Janeiro: contratou o técnico tetracampeão olímpico Ratko Rudic e ainda naturalizou nomes importantes do cenário mundial. As principais novidades são a chegada do central croata Josip Vrlic e do goleiro sérvio Slobodan Soro, campeão mundial em 2009 – que só poderá defender o Brasil a partir de agosto, quando termina a quarentena exigida pela Fina (Federação Internacional de Desportos Aquáticos) para mudança de nacionalidade. O responsável pela vinda dos dois foi o carioca Felipe Perrone. Eleito o melhor jogador da última Liga dos Campeões de clubes pelo Barceloneta, da Espanha, ele defendeu a Espanha até o último ciclo olímpico, mas foi repatriado no ano passado. Junto com ele, trouxe, além de Soro e Vrlic, o espanhol Adria Delgado e o italiano Paulo Salemi, ambos filhos de brasileiros que nasceram na Europa.” (UOL 23jun2015)

As entrelinhas: O uso dos Jogos Olímpicos como instrumento político nacionalista vem de longa data. Não vamos nem falar das “preparações” em massa de atletas de países como a extinta Alemanha Oriental. Vamos centrar aqui em uma leitura simples da questão de reforçar equipes, particularmente as anfitriãs (como o caso do Brasil em 2016), com atletas estrangeiros que são naturalizados para alavancar o orgulho nacional e ficar “lá em cima” no quadro de medalhas. Particularmente sou um purista exacerbado neste assunto. Em minha ótica o atleta olímpico para ser considerado nacional tem que ser nascido (ou pelo menos criado desde a infância) em seu país e ali treinado em seus clubes, escolas, associações, por seus treinadores nacionais. Nada contra intercâmbio intenso com outros países, participando de torneios internacionais e mesmo treinamentos conjuntos. Minha observação ingênua não perdoa sequer os bons nadadores que temos e que fizeram toda a sua carreira e desenvolvimento nos EUA. Mas como todo mundo faz, por que não vamos fazer também, não é mesmo?

Foto: logo dos Jogos do Rio 2016 encontrado em commons.wikimedia

07-07: Entendendo os gregos

APTOPIX Greece BailoutAs linhas: ” O plebiscito em que a população grega diria ‘nai’ (sim) ou ‘oxi’ (não) às políticas de austeridade impostas pela União Europeia em troca de uma nova ajuda financeira ao país mostrou que a população quer mudanças e está disposta a aceitar riscos para consegui-las. o plebiscito mostrou que os 61,31% dos gregos não querem mais aceitar a receita para uma recuperação econômica que parece cada dia mais distante: alta de impostos, corte de benefícios sociais e de aposentadoria. Com desemprego acima de 20% (e de 50% entre os jovens) e um PIB que encolheu 24% desde 2010, a Grécia decidiu desafiar os credores. (Fernando Scheller, O Estado de São Paulo – 6jul2015)

As entrelinhas: A gente costuma dizer que quando um sujeito deve dez mil reais ao banco, fica sem dormir e quando deve dez milhões de reais, quem não dorme é o banqueiro…Pois é, assim se resume a situação dos gregos. Depois de cinco anos aceitando todas as imposições da União Europeia, FMI e Banco Central Europeu para aplicar uma forte política de austeridade que levou o país a um nível insustentável de pobreza, o povo, liderado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, votou “não aguento mais isto”. Claro que não é bonito dar um “calote” destas proporções no mundo financeiro, mas o que os gregos na verdade fizeram foi deixar a Europa sem dormir. O fato real é que neste século e até 2008 inclusive, a Grécia entregou taxas de crescimento econômico apreciáveis. Mas a crise econômica internacional que se abateu sobre o Ocidente mostrou as fragilidades das finanças públicas gregas. Impossível neste momento se prever as consequências desta decisão do povo. O certo é deverá ocorrer um grande abalo ao Euro como moeda e à União Europeia como bloco comercial. Os gregos vão sofrer um bocado com esta decisão, que mostrou uma relevância do poder do povo ao tomar em suas mãos as rédeas de seu destino. Desdobramentos imprevisíveis a serem observados. Stay tuned…

Foto: Petros Giannakouris/AP

06-07: Messi e o amargor de ser vice

As linhas: “Lionel Messi já ganhou praticamente tudo no futebol. Entre títulos pelo Barcelona e premiações individuais, são mais de 70 troféus na carreira do craque argentino que completou 28 anos durante a Copa América. Falta para ele, porém, um título com a seleção principal da argentina. Com a derrota para o Chile nos pênaltis na final do torneio continental, o camisa 10 acumula seu terceiro fracasso em decisões pela seleção adulta. Foi vice-campeão com a Argentina na Copa América de 2007, ainda muito jovem, e na Copa do Mundo em 2014, já camisa 10, capitão e protagonista. Mais uma decepção.” (UOL – 04jul2015)

As entrelinhas: O nosso irônico e grande campeão Nelson Piquet em uma de suas frases históricas disse a seu filho Nelsinho, que acabava de estrear no kart, chegando em segundo lugar: “Não esqueça que o segundo colocado é o primeiro perdedor”. Falando sério, está provado psicologicamente que ser vice é muito pior que ser terceiro colocado. Particularmente em esportes ou campeonatos em que as decisões ocorrem em sistemas eliminatórios, o vice campeão chega ao pódio com uma derrota e o terceiro colocado com uma vitória (caso da seleção peruana na recém encerrada Copa América). Esta questão de ser eterno vice chega a ser traumática. Uma anedota maldosa diz que o Guinness Book of Records fez uma coletânea para determinar quem foi o atleta/esportista, em todos os cantos do planeta, que chegou mais vezes em segundo lugar. Aparentemente, nosso simpático Rubens Barrichello foi vice!

Foto: Luis Hidalgo/AP

05-07: Maju e a ira das redes sociais

MajuAs linhas: “A jornalista Maria Julia Coutinho voltou a ser vítima de comentários racistas, desta vez em uma publicação na página do Facebook do Jornal Nacional na noite desta quinta-feira (2). Os comentários publicados durante a madrugada por leitores da página e expectadores do jornal foram extremamente pejorativos e racistas. Mais tarde, as mensagens negativas foram removidas do perfil do jornal pela equipe que administra a rede social. Em contrapartida, outros usuários, revoltados com os comentários preconceituosos, saíram em defesa da jornalista e se manifestaram rebatendo os comentários no post.(Brasil Post – The Huffington Post/Abril – 4jul2015)

As entrelinhas: Desde as primeiras vezes que vi a simpática Maju no SP TV apostei que ela iria voar alto. Antes de mais nada, penso que sua notoriedade nacional repentina tenha conflitado e a feito vítima da mudança de estilo do JN. Desapareceu a naturalidade da moça Maria Julia e ela me passa uma imagem de deslocada neste novo modelo “informal”. Mas isto não explica a insensatez e irresponsabilidade criminosa dos pretensos anônimos que utilizam sua ignorância atrás de uma tela ou monitor qualquer para destilar o fel que lhes inunda as pobres almas. Mas um fato que ganhou tal repercussão há de ser um ponto de partida para se acabar com estes abusos de “liberdade de expressão”. Os temas de responsabilidade civil e criminal pelo uso indiscriminado de manifestações pelas redes sociais está evoluindo muito rapidamente no Direito brasileiro. Os tais “anônimos” parecem não saber como é fácil serem identificados. A sensação de impunidade que impera (também) nesta área há de encontrar fim breve e Maju vai ser uma referência.

Fotomontagem: brasiltvdigital.com

04-07: Por que Obama afagou Dilma?

US-POLITICS-OBAMA-HEALTHCAREAs linhas: “Em entrevista coletiva na Casa Branca, nesta terça-feira (30), repórter fez um questionamento à presidente brasileira em que ironizou a relação entre EUA e Brasil. “O Brasil se vê como um ator global e liderança no cenário mundial, mas os EUA nos veem como uma potência regional.  Como você concilia essas duas visões?”, perguntou. Obama pediu para responder e rebateu: “Responderei em parte a pergunta que você acabou de fazer à presidenta. Não enxergamos o Brasil como uma potência regional, mas como uma potência global(BahiaNotícias – 30jun2015)

As entrelinhas: Barack Obama é um fenômeno político perene. Já na fase derradeira de seu segundo mandato, mantém seu carisma, consegue vitórias tanto em um Congresso onde os Democratas não tem maioria como até na Suprema Corte do EUA, com recente vitória em uma nuance do “ObamaCare”. Inteligente e perspicaz, não perdeu a chance de afagar o Brasil. Claro que os americanos não enxergam o Brasil como potência global. Mas em política se fala uma coisa para se dizer outra. Obama disse que o Brasil ainda é uma potência regional, com todos os seus descalabros atuais, que prefere ter entre os BRICS nosso País a seu lado do que a encurralada Rússia, a China de seus pesadelos, a Índia com suas intransponíveis contradições e a África do Sul com pouca relevância. No Brasil, quis dizer Obama, reside a Amazônia, crucial para o equilíbrio climático; aqui está o celeiro do mundo, cada vez mais realidade com nossa produção de cereais, oleaginosas, carnes e açúcar e sua cada vez mais alta produtividade. E pior, o Brasil é o alvo da cobiça desenfreada dos chineses, ameaça maior da invasão oriental ao continente americano (e que já acontece, a olhos vistos e também às escuras).

Foto por Saul Loeb/AFP/Getty Images.