07-07: Entendendo os gregos

APTOPIX Greece BailoutAs linhas: ” O plebiscito em que a população grega diria ‘nai’ (sim) ou ‘oxi’ (não) às políticas de austeridade impostas pela União Europeia em troca de uma nova ajuda financeira ao país mostrou que a população quer mudanças e está disposta a aceitar riscos para consegui-las. o plebiscito mostrou que os 61,31% dos gregos não querem mais aceitar a receita para uma recuperação econômica que parece cada dia mais distante: alta de impostos, corte de benefícios sociais e de aposentadoria. Com desemprego acima de 20% (e de 50% entre os jovens) e um PIB que encolheu 24% desde 2010, a Grécia decidiu desafiar os credores. (Fernando Scheller, O Estado de São Paulo – 6jul2015)

As entrelinhas: A gente costuma dizer que quando um sujeito deve dez mil reais ao banco, fica sem dormir e quando deve dez milhões de reais, quem não dorme é o banqueiro…Pois é, assim se resume a situação dos gregos. Depois de cinco anos aceitando todas as imposições da União Europeia, FMI e Banco Central Europeu para aplicar uma forte política de austeridade que levou o país a um nível insustentável de pobreza, o povo, liderado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, votou “não aguento mais isto”. Claro que não é bonito dar um “calote” destas proporções no mundo financeiro, mas o que os gregos na verdade fizeram foi deixar a Europa sem dormir. O fato real é que neste século e até 2008 inclusive, a Grécia entregou taxas de crescimento econômico apreciáveis. Mas a crise econômica internacional que se abateu sobre o Ocidente mostrou as fragilidades das finanças públicas gregas. Impossível neste momento se prever as consequências desta decisão do povo. O certo é deverá ocorrer um grande abalo ao Euro como moeda e à União Europeia como bloco comercial. Os gregos vão sofrer um bocado com esta decisão, que mostrou uma relevância do poder do povo ao tomar em suas mãos as rédeas de seu destino. Desdobramentos imprevisíveis a serem observados. Stay tuned…

Foto: Petros Giannakouris/AP

06-07: Messi e o amargor de ser vice

As linhas: “Lionel Messi já ganhou praticamente tudo no futebol. Entre títulos pelo Barcelona e premiações individuais, são mais de 70 troféus na carreira do craque argentino que completou 28 anos durante a Copa América. Falta para ele, porém, um título com a seleção principal da argentina. Com a derrota para o Chile nos pênaltis na final do torneio continental, o camisa 10 acumula seu terceiro fracasso em decisões pela seleção adulta. Foi vice-campeão com a Argentina na Copa América de 2007, ainda muito jovem, e na Copa do Mundo em 2014, já camisa 10, capitão e protagonista. Mais uma decepção.” (UOL – 04jul2015)

As entrelinhas: O nosso irônico e grande campeão Nelson Piquet em uma de suas frases históricas disse a seu filho Nelsinho, que acabava de estrear no kart, chegando em segundo lugar: “Não esqueça que o segundo colocado é o primeiro perdedor”. Falando sério, está provado psicologicamente que ser vice é muito pior que ser terceiro colocado. Particularmente em esportes ou campeonatos em que as decisões ocorrem em sistemas eliminatórios, o vice campeão chega ao pódio com uma derrota e o terceiro colocado com uma vitória (caso da seleção peruana na recém encerrada Copa América). Esta questão de ser eterno vice chega a ser traumática. Uma anedota maldosa diz que o Guinness Book of Records fez uma coletânea para determinar quem foi o atleta/esportista, em todos os cantos do planeta, que chegou mais vezes em segundo lugar. Aparentemente, nosso simpático Rubens Barrichello foi vice!

Foto: Luis Hidalgo/AP

05-07: Maju e a ira das redes sociais

MajuAs linhas: “A jornalista Maria Julia Coutinho voltou a ser vítima de comentários racistas, desta vez em uma publicação na página do Facebook do Jornal Nacional na noite desta quinta-feira (2). Os comentários publicados durante a madrugada por leitores da página e expectadores do jornal foram extremamente pejorativos e racistas. Mais tarde, as mensagens negativas foram removidas do perfil do jornal pela equipe que administra a rede social. Em contrapartida, outros usuários, revoltados com os comentários preconceituosos, saíram em defesa da jornalista e se manifestaram rebatendo os comentários no post.(Brasil Post – The Huffington Post/Abril – 4jul2015)

As entrelinhas: Desde as primeiras vezes que vi a simpática Maju no SP TV apostei que ela iria voar alto. Antes de mais nada, penso que sua notoriedade nacional repentina tenha conflitado e a feito vítima da mudança de estilo do JN. Desapareceu a naturalidade da moça Maria Julia e ela me passa uma imagem de deslocada neste novo modelo “informal”. Mas isto não explica a insensatez e irresponsabilidade criminosa dos pretensos anônimos que utilizam sua ignorância atrás de uma tela ou monitor qualquer para destilar o fel que lhes inunda as pobres almas. Mas um fato que ganhou tal repercussão há de ser um ponto de partida para se acabar com estes abusos de “liberdade de expressão”. Os temas de responsabilidade civil e criminal pelo uso indiscriminado de manifestações pelas redes sociais está evoluindo muito rapidamente no Direito brasileiro. Os tais “anônimos” parecem não saber como é fácil serem identificados. A sensação de impunidade que impera (também) nesta área há de encontrar fim breve e Maju vai ser uma referência.

Fotomontagem: brasiltvdigital.com

04-07: Por que Obama afagou Dilma?

US-POLITICS-OBAMA-HEALTHCAREAs linhas: “Em entrevista coletiva na Casa Branca, nesta terça-feira (30), repórter fez um questionamento à presidente brasileira em que ironizou a relação entre EUA e Brasil. “O Brasil se vê como um ator global e liderança no cenário mundial, mas os EUA nos veem como uma potência regional.  Como você concilia essas duas visões?”, perguntou. Obama pediu para responder e rebateu: “Responderei em parte a pergunta que você acabou de fazer à presidenta. Não enxergamos o Brasil como uma potência regional, mas como uma potência global(BahiaNotícias – 30jun2015)

As entrelinhas: Barack Obama é um fenômeno político perene. Já na fase derradeira de seu segundo mandato, mantém seu carisma, consegue vitórias tanto em um Congresso onde os Democratas não tem maioria como até na Suprema Corte do EUA, com recente vitória em uma nuance do “ObamaCare”. Inteligente e perspicaz, não perdeu a chance de afagar o Brasil. Claro que os americanos não enxergam o Brasil como potência global. Mas em política se fala uma coisa para se dizer outra. Obama disse que o Brasil ainda é uma potência regional, com todos os seus descalabros atuais, que prefere ter entre os BRICS nosso País a seu lado do que a encurralada Rússia, a China de seus pesadelos, a Índia com suas intransponíveis contradições e a África do Sul com pouca relevância. No Brasil, quis dizer Obama, reside a Amazônia, crucial para o equilíbrio climático; aqui está o celeiro do mundo, cada vez mais realidade com nossa produção de cereais, oleaginosas, carnes e açúcar e sua cada vez mais alta produtividade. E pior, o Brasil é o alvo da cobiça desenfreada dos chineses, ameaça maior da invasão oriental ao continente americano (e que já acontece, a olhos vistos e também às escuras).

Foto por Saul Loeb/AFP/Getty Images.