24-04: FMI e PIB – quem acredita em números?

As linhas: ” O Brasil caiu 25 posições em um ranking que mede o ritmo de crescimento do PIB (produto interno bruto) de 166 países, elaborado com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com uma expansão de apenas 0,9% na economia no ano passado, o país ficou em 128º lugar. Em 2011, estava em 103º, após uma alta de 2,7% no PIB. Nos últimos 20 anos, somente três vezes o Brasil esteve em uma colocação pior do que a atual: em 1998 (quando ficou em 141º lugar), em 1999 (138º) e em 2003 (141º). O ranking considerou apenas os países que forneceram os dados para todo o período examinado (1993 a 2012). Os números se referem ao crescimento econômico real, ou seja, descontada a inflação.” (Fonte: blog ‘Achados Econômicos’ de Silvio Guedes Crespo)

As entrelinhas: Confesso ter dificuldade em conviver com uma série de temas que são parte de nosso cotidiano. Um deles é a minha completa descrença em dados estatísticos aos quais não tenho como verificar sua autenticidade ou que não confio em quem os elabora. Isto deve ser resquício do fato de ter sido recenseador em 1970 (curiosidade: naquele ano realizaram-se, pela primeira vez e simultaneamente, os recenseamentos da população e da habitação, passando a palavra censo, a ser utilizada no plural como referência às duas operações simultâneas). Levante a mão quem acredita que “o IBGE calculou em 31/08/2012 que a população brasileira tenha atingido 193.946.886 habitantes, 1.567.599 a mais do que no ano passado”. Que nossa economia está andando de lado, não precisamos de FMI para nos dizer. Mas que ficamos em 128º. lugar entre 166 países examinados pelo Fundo, a mim não acrescenta ou diminui absolutamente nada.

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11-04: A inflação do tomate

As linhas: ” Dilma já admite alta nos juros neste mês – Inflação em 12 meses rompe o teto da meta ao atingir 6,59%, e Planalto vê necessidade de BC reforçar sua credibilidade. O Planalto já trabalha com a possibilidade de o Banco Central elevar os juros na próxima semana, apesar de fazer uma avaliação positiva da inflação oficial de março. No mês passado, o IPCA avançou 0,47%, ante 0,60% em fevereiro. Mesmo com o rompimento do teto da meta –o IPCA em 12 meses atingiu 6,59% -, assessores presidenciais ponderam que o BC poderia esperar mais para decidir se sobe o juro diante de sinais de que a inflação deve seguir em queda. ” (Fonte: Folha de São Paulo)

As entrelinhas: O mais curioso desta subida persistente da inflação é que mais uma vez a alta nos preços dos alimentos aparece como o grande responsável pelos números. O valor do tomate cresceu 122% no último ano! Mas a realidade é que as autoridades da área econômica vem tratando pneumonia com simples aspirinas. Uma dose aqui, em forma de desoneração de impostos para uma área industrial específica, outra lá, com a diminuição acelerada dos juros para estimular artificialmente o consumo e assim por diante. Pelo jeito vamos continuar assim, sem mudanças de fundo (como as reformas tributária e previdenciária), que nunca saem dos planos e que poderiam efetivamente mudar a base de toda a nossa estrutura econômica, sem os sustos aplicados pelo tomate…

28-03: Entendendo o confisco no Chipre

As linhas: Europa resgata Chipre e impõe confisco e reestruturação bancária – Esta medida terá por efeito reduzir consideravelmente o tamanho do setor bancário cipriota, apontado como superdimensionado em relação à economia da ilha, já que representa oito vezes seu Produto Interno Bruto! O Chipre conseguiu um resgate da Eurozona, mas o acordo exige uma reestruturação de seu hipertrofiado setor bancário e confiscos dos depósitos mais volumosos, em muitos casos de correntistas russos, e abre uma era de incertezas sobre seu futuro econômico. ‘Finalmente, o Chipre sai de um período de incerteza e de insegurança para a economia. Foi evitada uma suspensão de pagamentos, o que teria significado deixar a zona do euro, com consequências devastadoras’, afirmou o porta-voz do governo cipriota, Christos Stylianidis.(Agence France-Presse)

As entrelinhas: Os bancos do Chipre reabrirão nesta quinta-feira (28mar), depois da adoção das medidas mencionadas nas linhas, entre elas a limitação de saque de 300 euros por dia por correntista bancário. Os bancos estão fechados desde 16 de março. Pagamentos e transferências para o exterior não poderão superar o limite de 5.000 euros por mês e quem for viajar, poderá embarcar com apenas 1.000 euros. Algo parecido com o  nosso Plano Collor, de tão nefasta lembrança. Para entendermos o motivo de preocupação generalizada destas medidas em uma ilha tão pequena, é preciso pensar que todos os Países da zona do Euro, em particular aqueles com a situação econômica mais complicada (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália) ficam a temer que o mesmo tipo de providência possa ser adotado em outros Países. Por este motivo é importante, para o acompanhamento da economia européia (e seus reflexos globais) que se observe os desdobramentos destas medidas.