24-07: Economia de Baixo Carbono / Aquecimento Global

Correio – Como o Brasil está inserido no contexto da economia de baixo carbono? O Brasil aparece como portador de um grande potencial na economia de carbono. O que é preciso fazer para aproveitar isso? 

PC – O Brasil tem um papel fundamental no cenário mundial dentro do contexto da economia de baixo carbono, particularmente por destacar-se em diversas formas de geração de energia oriundas de fontes renováveis. A biodiversidade presente em nosso país é única e nos coloca em posição de destaque na construção de uma economia de baixa intensidade de carbono. De se comentar a abundancia de água em nosso território, com o potencial de construção de várias hidrelétricas e às possibilidades do uso da cana-de-açúcar tanto para a produção de etanol como a co-geração de energia elétrica a partir da biomassa.

Para aproveitar isto o Brasil precisa de uma grande transformação em sua base educacional, precisa tornar-se um país sério e responsável, refletindo no amadurecimento político e na formação das pessoas. Não basta culpar os governantes. Em uma país de dimensões continentais e com tantas riquezas, proporcionais ao tamanho dos problemas sociais e econômicos que enfrentamos, vamos levar décadas de contínua mudança para conseguirmos aproveitar este potencial referido. Para isto temos que começar a ser sérios em algum momento e parece que este momento nunca chega. Se chegarmos lá, e Deus queira, os principais instrumentos que necessitamos são regulação adequada, investimentos apropriados e por fim uma fiscalização severa da utilização destes investimentos. Matéria prima natural não nos falta – falta a educação e o comprometimento com a seriedade. 

Correio – O mercado do etanol vem enfrentando dificuldades nos últimos anos, após um período de crescimento. Qual é o potencial do Brasil nesta área e quais são os principais gargalos que precisam ser superados? 

PC – O Brasil já foi, ainda recentemente, o maior produtor de etanol do mundo, posição que voltou a perder para os EUA, que produzem o etanol prioritariamente a partir do milho. Já à partida nota-se a nossa vantagem – nos EUA temos a competição do uso do cereal para alimento contra a produção de uma energia cara e não tão limpa como o etanol do milho. As dificuldades que temos e que nos fizeram retroceder são várias: investimentos inadequados, falta de uma política de sustentação regulatória apropriada por parte da ANP, a “troca” feita pelo Governo Federal que priorizou a atenção ao pré-sal e abandonou em grande parte o apoio à produção de etanol. Outro grande problema sempre foi e continua sendo a política de preços da gasolina, que ignora os mercados internacionais e privilegia a Petrobras. Felizmente, neste momento e pelas razões recentes que estamos cansados de saber, o Governo está mantendo o preço de combustíveis nas alturas enquanto os valores internacionais estão muito abaixo dos aqui praticados. Isto é péssimo para o consumidor mas é muito bom para a produção de etanol, que hoje tem um retorno muito melhor que o açúcar para o industrial da cana. 

Correio – De que maneira um cenário de crise interfere no desenvolvimento da economia do baixo carbono?

PC – O cenário de crise política, econômica e até institucional que estamos vivendo interfere de maneira capital no desenvolvimento das possibilidades de evoluirmos na economia de baixo carbono. Os investimentos novos estão escassos, o que atrasa enormemente  a construção de hidrelétricas ao longo do país, bem como novos investimentos no degradado setor de produção de etanol. Não bastasse isto, a atenção dos governantes e dos empresários, inclusive das grandes construtoras, está muito mais voltada para questões macroeconômicas, políticas e jurídicas do que para olhar o tema crucial para o país e para o mundo que é o desenvolvimento da economia de baixo carbono. De nada adianta a nossa Presidente ir a Piracicaba inaugurar uma indústria de produção de etanol de segunda geração e entoar o grito de guerra da torcida do tradicional XV de Piracicaba se sua preocupação maior está em responder a pesadas acusações vindas do Tribunal de Contas da União. 

Correio – Qual é a participação dos governos, das empresas e das pessoas na formatação de políticas para combater o aquecimento global? 

PC – Estes são os três vértices que tem de atuar em conjunto para formatar as políticas de combate ao aquecimento global. Não é por menos que Nova Zelândia, Austrália e União Europeia tem a frente disparada neste quesito. Nestas regiões existe uma participação decisiva dos governos na criação de modelos rígidos a serem seguidos, com adequada regulação, as empresas realmente se engajam nestas políticas através de investimentos adequados e seguido os modelos propostos e as pessoas tem a educação e consciência de que são o instrumento final para este difícil combate. Em última análise, os beneficiários ou prejudicados pela contínua situação que vivemos de crescimento do aquecimento global; se não a nossa geração, pelo menos as de nossos filhos e netos.

16-09: A surpresa do Pan

continencia2As linhas: ” Brasília, 15/07/2015 Com cerca de 130 atletas militares no Pan-Americano de Toronto, o Ministério da Defesa, por meio das Forças Armadas Brasileiras, tem nesta competição o maior contingente em uma competição esportiva, chegando inclusive a superar muitos países na disputa. A partir da conquista de medalhas, e seguindo aquilo que preconiza a legislação militar, os atletas, no pódio, prestam continência à Bandeira Nacional. As imagens transmitidas pela televisão geraram debate sobre o gesto. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB), divulgou nota oficial acerca do assunto. A seguir reproduzimos parte do texto: ‘ O projeto de parceria das Forças Armadas (FA) com o Comitê Olímpico do Brasil (COB) teve início em 2009. Naquela ocasião, o Brasil fora escolhido para sediar os V Jogos Mundiais Militares e precisava formar uma equipe de militares capaz de representar com sucesso o anfitrião do evento. Por outro lado, o COB entendeu que o apoio das FA seria de grande valia na preparação de nossos atletas de alto rendimento. Para avaliar o desafio, uma equipe do Ministério da Defesa e do COB viajou à Europa e verificou como isso funcionava em países como Alemanha, França, Itália, Hungria, etc. A Marinha e o Exército decidiram então publicar editais com as condições para seleção e admissão dos candidatos. Concretizava-se um sonho antigo daqueles que acreditavam que o exemplo de outras nações tinha tudo para dar certo no nosso país. Recentemente, a Força Aérea aderiu ao programa. Ministério da Defesa, Ministério do Esporte e Comitê Olímpico do Brasil uniram ações e recursos para que todas as dificuldades fossem superadas. O indiscutível sucesso dessa iniciativa se reflete em números altamente positivos. Os atletas foram criteriosamente selecionados e passaram por treinamentos duros e períodos de adaptação à nova situação profissional. Hoje, mais de trezentos deles ganharam direitos e deveres da profissão militar. Com isso, se sentem ainda mais amparados para se superar a cada dia, em busca de vitórias que projetam o nome do Brasil. Dezenas de medalhas foram conquistadas por eles em competições internacionais de diferentes níveis.’

As entrelinhas: Todo o debate começou por conta de algo de aparente menor relevância mas de grande efeito plástico. Questionou-se se seria correto atletas medalhistas prestarem continência (atenção, é prestar e não bater!) quando se toca o Hino Nacional e é hasteada nossa bandeira. Todas as teorias conspiratórias foram exploradas até o absurdo de imaginarem que um grande número de atletas se reuniu e combinou o gesto para pedir a volta do governo militar em nosso país!!! Mas esta discussão acabou por ser muito positiva pois revelou um fato que praticamente ninguém conhecia; as Forças Armadas do Brasil tem prestado significativo apoio ao esporte em um projeto denominado “Programa de Atletas de Alto Rendimento”. Pesquisei o assunto e minha conclusão é que trata-se de um programa válido, seguindo exemplos de outros países. Baseio-me em informação detalhada do próprio Exército, que indica que os atletas escolhidos passam por um período curto de treinamento intensivo em dependências das Forças Armadas, recebem patente militar temporária (e neste período tem todos os direitos e deveres de um militar de carreira) e lhe são franqueadas as instalações esportivas militares* para treinamento. Portanto “são mas não são”, na verdade, “estão”; não são necessariamente militares de carreira como tal, mas estão sob tutela de práticas militares. De toda forma os resultados demonstram que ao menos a disciplina que lhes é ensinada nas Forças Armadas, fator preponderante na obtenção de pódios e recordes nos esportes e na vida, tem trazido frutos em forma de medalhas de ouro, prata e bronze. Assim sendo, que continuem a prestar continência, a meu ver, uma forma significativa de mostrar orgulho da Pátria e respeito ao nosso hino e bandeira.

Vários e pouco conhecidos são os centros de excelência esportiva das Forças Armadas. Talvez a mais simbólica seja a Escola de Educação Física do Exército, estabelecida no Forte de São João, na Urca em companhia do Cefan (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes), da Marinha do Brasil, também no Rio de Janeiro.

Foto: Eduardo Palácio/Terra, encontrada na página do Facebook do Exército brasileiro.

14-07: As operações da Polícia Federal – curiosidade

politeiaAs linhas: ” A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (14) a Operação Politeia, um desdobramento da Lava Jato, com a execução de mandados de busca e apreensão na residência de políticos suspeitos de envolvimento com o esquema de corrupção. Os agentes da PF foram às casas do senador Fernando Collor (PTB-AL), em Brasília e em Maceió, nas do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), em Brasília, na do ex-ministro e ex-deputado Mário Negromonte (PP-BA), na Bahia, e na do ex-ministro e senador Fernando Bezerra Coêlho (PSB-PE).” (Fonte: Portal G1 e TV Globo)

As entrelinhas: Tenho trocado ideias com amigos sobre a possibilidade de que haja, dentro da Polícia Federal, uma pessoa ou um grupo de pessoas, inteligente e criativo, cujo único mister seja o de criar nomes para as operações da Polícia Federal. Podem reparar como são todos muito interessantes. A nova fase da Lava Jato*, recebeu o interessante nome de Politeia. A melhor definição que encontrei (dicionarioinformal.com.br) e que se encaixa como uma luva ao trabalho sendo feito pela PF foi ” na República grega, imaginada por Platão, Politeia seria uma cidade onde a ética e a virtude devem imperar. Para Platão era compatível primeiro com a monarquia, e depois com a democracia, e nunca com a oligarquia, tirania e timocracia.”

Interessante, não é mesmo? Quem tiver curiosidade verifique os outros nomes das operações e verá que criatividade é algo que só acrescenta valor a tudo que se faz na vida. As sub operações da PF neste caso “Lava Jato” poderiam chamar-se LJ1, LJ2, LJ3, etc. Mas não, cada uma tem uma relação direta com a etapa sendo cumprida e facilita o entendimento de quem acompanha o assunto.

*A operação recebeu o nome Lava Jato porque em um dos desvios de dinheiro o grupo usava uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar os valores. A primeira apreensão foi feita em um posto de combustíveis de Brasília, onde, curiosamente, não existe um Lava Jato!

Foto: portal g1.com.

 

13-07: Começou o Pan! Que Pan?

felipeAs linhas: ” Medalhista de ouro neste domingo na prova de pistola de ar de 10m dos Jogos Pan-Americanos de Toronto (CAN) com uma marca que lhe valeria título mundial (um total de 201,8 pontos), o atirador Felipe Wu tem de lidar diariamente com uma falta de estrutura adequada. Tanto que teve de montar na garagem de sua casa em São Paulo um estande de tiro para conseguir praticar. O detalhe é que por conta do tamanho reduzido do espaço só consegue dar tiros de uma distância de sete metros. ‘Infelizmente não existe nenhum estande de tiro em São Paulo. Se quisesse treinar, teria de ir para Deodoro (onde vai ser a competição olímpica). Mas é o que tenho e não posso ficar reclamando muito. Vou me virando como posso’, disse ao UOL Esporte o atirador que contava com esta mesma estrutura em 2010 quando ficou com a medalha de prata dos Jogos Olímpicos da Juventude de Cingapura. (Fonte: Fábio Aleixo, para UOL – enviado a Toronto)

As entrelinhas:  Vamos lá – os Jogos Pan-Americanos de 2015, oficialmente denominados XVII Jogos Pan-Americanos, são um evento multi esportivo realizados entre os dias 10 e 26 de julho e que tem como sede principal a cidade de Toronto, no Canadá. Lembrados, agora? Pois é, este ano se revestem de especial importância para o esporte brasileiro pois são o grande evento de preparação para os Jogos Olímpicos de 2016 a serem celebrados no Rio de Janeiro! Em 2011, em Guadalajara/México, nossos atletas conseguiram a terceira colocação no quadro de medalhas, conquistando 48 ouros (primeiro critério de classificação) e 141 no total, superados pelos EUA, potencia mundial, e Cuba, sempre dedicada a sucessos esportivos mas visivelmente em decadência por questões estruturais do País. Antes disto, em 2007, aqui no Rio de Janeiro, a mesma terceira colocação, mas com 52 ouros e 157 medalhas no total, atrás dos mesmos EUA e Cuba. Para os Jogos ora sendo realizados, e considerando toda a preparação de longo prazo que se diz estar sendo feita para as Olímpiadas tupiniquim, espera-se que o Brasil lute pela segunda colocação, com o Canadá, anfitrião e a sempre presente Cuba. Findo o segundo dia de competições ainda andamos com o quarto lugar, 4 medalhas de ouro e 13 no total, atrás de Canadá, EUA e Colômbia, pela ordem.

Pelas linhas se percebe como ainda é precária nossa preparação e dependente de alguns talentos e esforços individuais para se subir ao pódio. Há esportes que, tradicionalmente, recebem grandes verbas e preparo de primeiro mundo (judô, voleibol, natação e alguns outros), garantindo a maioria das medalhas. Mas estes heróis de garagem é que fazem a diferença nestes Jogos de pouca expressão.

A grande explicação que se dá para a falta de interesse ou conhecimento da realização destes Jogos é o fato de que os direitos de transmissão foram adquiridos pela TV Record e a Rede Globo, como acontece nestas situações em que é preterida, pouca atenção dá ao evento. Pode ser, mas o que eu penso mesmo é que o povo está ligando muito pouco, neste momento, para esportes olímpicos. As preocupações estão em outras áreas…

Foto: cob.org.br

11-07: Minions, os adoráveis subversivos

minionsAs linhas: “Seres amarelos unicelulares e milenares, os Minions têm uma missão: servir os maiores vilões. Em depressão desde a morte de seu antigo mestre, eles tentam encontrar um novo chefe. Três voluntários, Kevin, Stuart e Bob, vão até uma convenção de vilões nos Estados Unidos e lá se encantam com Scarlet Overkill, que ambiciona ser a primeira mulher a dominar o mundo. Minions é um filme norte-americano de animação computadorizada, um spin-off, ou melhor, uma “prequela” da animação Meu Malvado Favorito, lançado em 2010. Ele foi produzido por Illumination Entertainment, e distribuído pela Universal Pictures.” (Fontes: sinopse oficial do filme de animação e Wikipédia – jun2015)

As entrelinhas: A super desenvolvida tecnologia que produz as animações computadorizadas de nossos dias transformou os filmes infantis em diversão para toda a família. Os Minions não fogem à regra e geram um passatempo agradável. Um toque de História atrai os adultos – no enredo as aventuras de Stuart, Kevin e Bob e mais todo o exército de Minions não só atravessam os tempos, mas também percorrem o mundo; o filme passa por Nova York, Orlando, Austrália, China, Índia e Londres, onde acontece a maior parte da trama. Desnecessário dizer que dublagem é o lado mais frustrante para os amantes do cinema – a voz é parte da personalidade dos atores e nesta animação temos Sandra Bullock, Michael Keaton e outros grandes fazendo as vozes dos protagonistas. Mas, neste caso, totalmente perdoável eis que um filme destinado prioritariamente ao público infantil. As entrelinhas mais importantes vão para o fato de que esta animação é uma prequela (do inglês prequel, sem tradução para o português) e quer dizer que o enredo atual precede à trilogia. Nota-se isto apenas no final. Esta é uma estratégia muito interessante utilizada em séries e famosas sequencias “fora de ordem” como Prometheus (2012), “prequela” de Alien – o Oitavo Passageiro (1979), X-Men: First Class, Batman Begins e ainda The Exorcist: The Beginning, de 2004, uma “prequela” do original The Exorcist de 1973. Enfim, os Minions valem o ingresso, com filhos, netos, sobrinhos, amigos e também com sua companhia favorita.

Imagem encontrada em uol.com.br

10-07: Onde anda Joaquim Levy?

LevyAs linhas: ” Recrutado por Dilma Rousseff na diretoria do Bradesco, Joaquim Levy exibiu desenvoltura surpreendente nos seus primeiros dias como do ministro da Fazenda. Revelou um insuspeitado talento para a articulação política. Mudou-se para as manchetes. Jantava e almoçava com parlamentares. Transitava pelo Congresso. Guerreou pelo ajuste fiscal como poucos. Súbito, recolheu-se. Nesta quarta-feira (8), dia de más notícias na economia, o deputado Roberto Freire notou a ausência do personagem: ‘Fato estranho acontece no governo Dilma’, anotou Freire no Twitter. ‘Ministro da Fazenda sumiu. Ajuste, MP do desemprego, inflação, crise econômica e Levy calado, desaparecido.’ (Fonte: Blog do Josias de Souza, UOL – 9jul2015)

As entrelinhas: A última notícia que se teve do poderoso Ministro Levy foi sua desobediência a ordem médica, confirmada pelo seu especialista*, embarcando para os EUA e juntando-se à comitiva da Presidente Dilma, após internação hospitalar para cuidar de uma embolia pulmonar. A partir daí, incluindo a referida visita ao país norte-americano, nenhuma manchete gerada pelo Ministro, artífice do grande, doloroso e necessário processo de ajuste fiscal que o Brasil precisa. O fato é que o experiente e capacitado economista e engenheiro enfrenta desconfianças declaradas de várias alas do PT, descontentes com as medidas impopulares que o Governo tenta implementar, até agora (e nem poderia ser diferente) com resultados contrários às expectativas. Vários índices cruciais para a economia do País e para o bolso do cidadão só tem piorado acentuadamente. Será que este sumiço é por ordem médica ou política? O tempo logo dirá…

*“Com diagnóstico de embolia pulmonar, ele não poderia ter viajado. O ministro Levy é um bom cumpridor de ordens econômicas, administrativas, mas médicas não”, afirmou o pneumologista Arhur Vianna. (Fonte: G1)

09-07: Vai estourar a bolha chinesa?

XangaiAs linhas: “O regulador do mercado chinês voltou a anunciar medidas extraordinárias para travar a hemorragia na maior bolsa do país. Os acionistas qualificados, com mais de 5% do capital de empresas cotadas, ficam proibidos de reduzir a sua posição, ou seja vender ações, durante seis meses. Esta ordem é a resposta a um novo trambolhão na bolsa de Xangai que esta quarta-feira caiu quase 6%. O objetivo é assegurar a estabilidade do mercado de capitais, ameaçada por um ‘mergulho injustificável’ no valor das ações, adianta a CSFC, entidade que supervisiona a bolsa chinesa. As empresas públicas chinesas já receberam ordens para manter a sua carteira de ações em empresas cotadas e há títulos com a negociação suspensa. Foram igualmente canceladas ofertas de novas ações no mercado e introduzidos limites às transações por parte de investidores estrangeiros. É o décimo dia seguido de intervenção nos mercados financeiros, passos que até agora só fizeram aumentar ainda mais a desconfiança dos investidores, ao invés de os tranquilizar. O pacote de estímulo aos mercados procura contrariar aquilo que as autoridades apelidam de venda irracional, mas há quem alerte para a existência de uma bolha especulativa nas bolsas chinesas de Xangai e de Shenzen, onde estão cotadas as ações tecnológicas, numa economia que está a arrefecer. Entre as medidas já adotadas estão ainda o financiamento de 42 mil milhões de dólares às corretoras para comprarem ações de empresas chave, o congelamento da transação de metade das empresas cotadas e a permissão dada aos investidores para usarem a habitação como garantia dos investimentos feitos na bolsa. O corte das taxas de juro, a desvalorização do yuan e um plano de investimentos em infraestruturas, são outras iniciativas para animar a economia chinesa. O recente desempenho negativo do Xangai Composite está fazer soar os alarmes entre os investidores de todo o mundo, que estão com as atenções voltadas para a situação de impasse que se vive na Grécia, e os especialistas já avisaram que a derrocada da bolsa chinesa vai ter um impacto muito superior a nível global quando comparada com a situação grega, cuja economia vale apenas 2% da zona euro, seja qual for o desfecho da mesma. (Fonte: Observador de Portugal com Alex Hofford/EPA e Bloomberg Business)

As entrelinhas: Não estranhem que estas linhas reflitam notícias como lidas em Portugal e nos EUA. Creio interessante perceber como em outras partes do mundo os fatos são interpretados. Na manhã de nossa quarta-feira, 8, com a Bolsa de Xangai já fechada, eu li com preocupação as informações que vinham pelas agências internacionais e me surpreendeu pouco ler nos noticiários locais ao longo do dia. A importância do que está acontecendo nas grandes bolsas chinesas pode ser um prenúncio de um desastre econômico que nos dias de hoje seria uma catástrofe em um mundo que ainda se recupera dos problemas de 2008. Vamos acompanhar com atenção estes desenvolvimentos. Pode ser que a bolha chinesa, que seria infinitamente maior que o estouros das bolhas “pontocom” e “subprime”, esteja começando a murchar. Devemos estar mais atentos a estes fatos, que coincidem com o problema da Grécia na zona do Euro.

Foto encontrada em globo.com

08-07: A grande ilusão olímpica

olimpicosAs linhas: “Sem disputar os Jogos Olímpicos desde 1984, a seleção brasileira de polo aquático preparou uma estratégia ousada para chegar forte à edição de 2016, no Rio de Janeiro: contratou o técnico tetracampeão olímpico Ratko Rudic e ainda naturalizou nomes importantes do cenário mundial. As principais novidades são a chegada do central croata Josip Vrlic e do goleiro sérvio Slobodan Soro, campeão mundial em 2009 – que só poderá defender o Brasil a partir de agosto, quando termina a quarentena exigida pela Fina (Federação Internacional de Desportos Aquáticos) para mudança de nacionalidade. O responsável pela vinda dos dois foi o carioca Felipe Perrone. Eleito o melhor jogador da última Liga dos Campeões de clubes pelo Barceloneta, da Espanha, ele defendeu a Espanha até o último ciclo olímpico, mas foi repatriado no ano passado. Junto com ele, trouxe, além de Soro e Vrlic, o espanhol Adria Delgado e o italiano Paulo Salemi, ambos filhos de brasileiros que nasceram na Europa.” (UOL 23jun2015)

As entrelinhas: O uso dos Jogos Olímpicos como instrumento político nacionalista vem de longa data. Não vamos nem falar das “preparações” em massa de atletas de países como a extinta Alemanha Oriental. Vamos centrar aqui em uma leitura simples da questão de reforçar equipes, particularmente as anfitriãs (como o caso do Brasil em 2016), com atletas estrangeiros que são naturalizados para alavancar o orgulho nacional e ficar “lá em cima” no quadro de medalhas. Particularmente sou um purista exacerbado neste assunto. Em minha ótica o atleta olímpico para ser considerado nacional tem que ser nascido (ou pelo menos criado desde a infância) em seu país e ali treinado em seus clubes, escolas, associações, por seus treinadores nacionais. Nada contra intercâmbio intenso com outros países, participando de torneios internacionais e mesmo treinamentos conjuntos. Minha observação ingênua não perdoa sequer os bons nadadores que temos e que fizeram toda a sua carreira e desenvolvimento nos EUA. Mas como todo mundo faz, por que não vamos fazer também, não é mesmo?

Foto: logo dos Jogos do Rio 2016 encontrado em commons.wikimedia

07-07: Entendendo os gregos

APTOPIX Greece BailoutAs linhas: ” O plebiscito em que a população grega diria ‘nai’ (sim) ou ‘oxi’ (não) às políticas de austeridade impostas pela União Europeia em troca de uma nova ajuda financeira ao país mostrou que a população quer mudanças e está disposta a aceitar riscos para consegui-las. o plebiscito mostrou que os 61,31% dos gregos não querem mais aceitar a receita para uma recuperação econômica que parece cada dia mais distante: alta de impostos, corte de benefícios sociais e de aposentadoria. Com desemprego acima de 20% (e de 50% entre os jovens) e um PIB que encolheu 24% desde 2010, a Grécia decidiu desafiar os credores. (Fernando Scheller, O Estado de São Paulo – 6jul2015)

As entrelinhas: A gente costuma dizer que quando um sujeito deve dez mil reais ao banco, fica sem dormir e quando deve dez milhões de reais, quem não dorme é o banqueiro…Pois é, assim se resume a situação dos gregos. Depois de cinco anos aceitando todas as imposições da União Europeia, FMI e Banco Central Europeu para aplicar uma forte política de austeridade que levou o país a um nível insustentável de pobreza, o povo, liderado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, votou “não aguento mais isto”. Claro que não é bonito dar um “calote” destas proporções no mundo financeiro, mas o que os gregos na verdade fizeram foi deixar a Europa sem dormir. O fato real é que neste século e até 2008 inclusive, a Grécia entregou taxas de crescimento econômico apreciáveis. Mas a crise econômica internacional que se abateu sobre o Ocidente mostrou as fragilidades das finanças públicas gregas. Impossível neste momento se prever as consequências desta decisão do povo. O certo é deverá ocorrer um grande abalo ao Euro como moeda e à União Europeia como bloco comercial. Os gregos vão sofrer um bocado com esta decisão, que mostrou uma relevância do poder do povo ao tomar em suas mãos as rédeas de seu destino. Desdobramentos imprevisíveis a serem observados. Stay tuned…

Foto: Petros Giannakouris/AP

06-07: Messi e o amargor de ser vice

As linhas: “Lionel Messi já ganhou praticamente tudo no futebol. Entre títulos pelo Barcelona e premiações individuais, são mais de 70 troféus na carreira do craque argentino que completou 28 anos durante a Copa América. Falta para ele, porém, um título com a seleção principal da argentina. Com a derrota para o Chile nos pênaltis na final do torneio continental, o camisa 10 acumula seu terceiro fracasso em decisões pela seleção adulta. Foi vice-campeão com a Argentina na Copa América de 2007, ainda muito jovem, e na Copa do Mundo em 2014, já camisa 10, capitão e protagonista. Mais uma decepção.” (UOL – 04jul2015)

As entrelinhas: O nosso irônico e grande campeão Nelson Piquet em uma de suas frases históricas disse a seu filho Nelsinho, que acabava de estrear no kart, chegando em segundo lugar: “Não esqueça que o segundo colocado é o primeiro perdedor”. Falando sério, está provado psicologicamente que ser vice é muito pior que ser terceiro colocado. Particularmente em esportes ou campeonatos em que as decisões ocorrem em sistemas eliminatórios, o vice campeão chega ao pódio com uma derrota e o terceiro colocado com uma vitória (caso da seleção peruana na recém encerrada Copa América). Esta questão de ser eterno vice chega a ser traumática. Uma anedota maldosa diz que o Guinness Book of Records fez uma coletânea para determinar quem foi o atleta/esportista, em todos os cantos do planeta, que chegou mais vezes em segundo lugar. Aparentemente, nosso simpático Rubens Barrichello foi vice!

Foto: Luis Hidalgo/AP