11-06: Afif, vaidade e mau exemplo

afifAs linhas: “A presidente Dilma Rousseff exonerou, a pedido, Guilherme Afif Domingos (PSD) do cargo de ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa. O decreto da exoneração foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União na sexta-feira.  Mas a exoneração é temporária, já que Afif deve reassumir a função a partir da próxima quinta-feira, tão logo o governador Geraldo Alckmin retorne da França, para onde viajou neste domingo para apresentar a candidatura da capital paulista como sede da Expo 2020. Com a medida de Dilma, Afif Domingos poderá assumir como governador em exercício de São Paulo. Para pedir a exoneração do cargo, Afif se baseou em parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que informou que ele pode ser vice-governador e ministro, desde que deixe a função em nível federal ao assumir o governo interinamente.” (Fonte: Zero Hora, de Porto Alegre)

As entrelinhas: A função destas entrelinhas é tentarmos ler o que não está óbvio nas linhas! Neste caso, não temos entrelinhas pois tudo está escrito claramente. Fica apenas o convite à reflexão: esta atitude de um político como Guilherme Afif Domingos é a) uso normal do “jeitinho” brasileiro de se viver; b) aplicação prática e integral da “Lei de Gérson”*, que imortalizou o craque Gérson de Oliveira Nunes; c) atividade didática para aplicação nas Faculdades de Direito do Brasil, mostrando como se deve conhecer as leis para saber como burla-las; d) todas as opções anteriores. Não seria muito mais simples e objetivo relembrar Getúlio Vargas e dizer, “A Lei, ora a Lei…”? Como ninguém mais se importa, mesmo…

* a Lei de Gérson é um princípio em que determinada pessoa age de forma a obter vantagem em tudo que faz, no sentido negativo de se aproveitar de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com questões éticas ou morais (Wikipédia).

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23-05: Cinema – “Intouchables”, França 2011

intocaveis3As linhas: “ Após um acidente de parapente, Philippe, um rico aristocrata, contrata Driss, um jovem recém-saído da prisão para ser seu cuidador. Em outras palavras, a pessoa menos apropriada para o trabalho. Juntos, irão misturar Vivaldi e a banda Earth, Wind & Fire, dicção elegante e jazz de rua, ternos e calças de moletom. Dois mundos vão colidir e chegar a um acordo para que nasça uma amizade tão louca, cômica e forte quanto inesperada, uma relação única que irá criar faíscas e torná-los intocáveis. ”  (Fonte: Guia da Semana)

As entrelinhas: Colocando em dia minha enorme coleção de “filmes imperdíveis que não assisti” recebi indicação de uma das filhas em “dar uma chance” para “Intocáveis”. Como o filme foi visto por um milhão de pessoas no Brasil, vinte milhões na França e 32.5 milhões na Europa, não me atrevo a fazer nova análise aprofundada. Vou apenas colocar em seguida os adjetivos e frases que fui rabiscando em um caderno à medida que ele se desenrolava, até que uma lágrima furtiva me impediu de escrever a última linha. Recomendo-o fortemente. “Inspirado em história real, trilha musical absolutamente coordenada com o espírito do filme, desconcertante, realista, relação impensável e improvável, dor da perda íntima sobrepondo-se à dor física, mágico, irreverente, a partida e a volta, a boa índole das pessoas superando as adversidades,  a sinfonia dos parapentes, o recomeço inesperado”.

Nota: As duas pessoas em cujas vidas o enredo está baseado publicaram livros, ambos traduzidos em Português. Quem quiser conferir procure por “O segundo suspiro”, de Philippe Pozzo Di Borgo, e “Você mudou a minha vida” de Abdel Sellou.

Foto: Os verdadeiros Phil e Abdel nos dias de hoje, encontrada em commons. wikimedia.