14-05: Salve Jorge, a oportunidade perdida

São JorgeAs linhas:  ” Nesta semana chega ao fim a novela mais bombardeada dos últimos tempos na televisão brasileira. ‘Salve Jorge’ e sua autora, Gloria Perez, que desviou da blindagem oferecida pela TV Globo e deu a cara à tapa nas redes sociais, foram vítimas de um dos mais poderosos e destacados personagens desse folhetim: o público.  O folhetim de Gloria Perez será sim lembrado, só não exatamente se tem a certeza de que será uma lembrança boa. Mas o que o público vai lembrar quando se falar da novela daqui a alguns anos? É possível fazer uma projeção com base no que repercutiu, caindo na mídia e causando discussões. ‘Salve Jorge’ teve erros gritantes de continuidade, que não costumamos ver na Globo com tanta frequência. A novela apresentou em seu roteiro situações complicadas, indigeríveis, que causaram ruídos até no telespectador menos atento.” (Fonte: crítico Breno Cunha, em Na Telinha)

As entrelinhas: Infelizmente Gloria Perez perdeu grande oportunidade de expor em uma maneira mais clara o grande problema que afeta a humanidade desde muitos séculos e que ganhou contornos “modernos” desde a Revolução Industrial. Com o poderoso elenco que a Globo tem em mãos, toda a sua capacidade técnica e particularmente equipes de apoio imbatíveis na produção de novelas, a autora se perdeu em uma história relativamente banal, sem conseguir criar personagens que prendessem o cativo público da eterna “novela das oito”. Do desempenho abaixo da crítica do folhetim  salvaram-se o charme e a personalidade criadas para a Delegada Helô e o curioso Pescoço. Muito pouco para quem poderia ter explorado várias outras facetas deste submundo do tráfico humano, que segundo estatísticas mais confiáveis (ah!, as estatísticas) atingem mais de dois milhões de pessoas ao redor do mundo. Aqui mesmo, sob nossos olhares, sabemos de casos tristes acontecendo nas esquinas e em indústrias semiclandestinas, onde a escravidão ainda é uma dura realidade.

Gravura: Google Imagens

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20-03: As pérolas do Enem: “trousse”, “enchergar” e “rasoavel”

As linhas: “‘Rasoavel’, ‘enchergar’, ‘trousse’. Esses são alguns dos erros de grafia  encontrados em redações que receberam nota 1.000 no Exame Nacional de Ensino  Médio 2012 (Enem). Durante um mês, O Globo recebeu mais de 30 textos enviados  por candidatos que atingiram a pontuação máxima, com a comprovação das notas  pelo Ministério da Educação (MEC) e a confirmação pelas universidades federais  em que os estudantes foram aprovados. Além desses absurdos na língua portuguesa,  várias redações continham graves problemas de concordância verbal, acentuação e  pontuação.” (Fonte: globo.com, texto que foi reproduzido extensivamente nos últimos dias).

As entrelinhas: A língua pátria tem sido ultrajada, não é de hoje. Inicialmente o problema crônico da falha na educação de base. Em segundo lugar a falta de leitura, que aliás nunca foi hábito muito cultivado por nós brasileiros. Depois criam um Acôrdo Ortográfico da Língua Portuguesa (que acabo de descobrir, só entra em vigor no Brasil em 2016!). Mais ainda, outro grande problema: a difusão dos meios de comunicação escrita via smartphones, twitters, MSNs e outros gadgets (que se traduz por geringonças), que induzem as pessoas, em particular os jovens (muitos já não são tão jovens assim) a abreviar as palavras de uma forma incompreensível para um ser humano normal, criando um novo dicionário. Em outras palavras, a situação só tende a piorar…