17-05: O agronegócio sustenta o Brasil

Soja_exportacaoAs linhas: As exportações brasileiras do agronegócio, nos últimos doze meses, atingiram resultado recorde somando US$ 99,59 bilhões, o que representou crescimento de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações reduziram 6,5% no ano e somaram US$ 16,52 bilhões no período, resultando em um saldo positivo recorde de US$ 83,07 bilhões. As informações são da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SRI/Mapa). ‘Nossa produção nos campos, seja devido às pesquisas ou ao alinhamento entre governo e iniciativa privada, há tempos se tornou exemplo de competitividade e eficiência. Quando o assunto é exportação, há anos a balança comercial agropecuária sustenta o saldo positivo do Brasil’, afirmou o ministro da Agricultura, Antônio Andrade. (Fonte: Canal Executivo)

As entrelinhas: Os portugueses tem uma frase histórica e perfeita para esta notícia: “Tudo como dantes no quartel d’Abrantes”. Isto quer dizer que nada mudou. E faz anos que nada muda no quesito da balança comercial brasileira, com o agronegócio sustentando repetidamente nossos superávits. Também nada se altera com o Governo querendo tirar sua “casquinha” deste dado permanente. Talvez por não ser muito do ramo (é engenheiro e pecuarista, o que não quer dizer nada – estava na Comissão de Finanças da Câmara e entrou no Ministério pela “quota” do PMDB), o ministro exagerou um bocado no papel oficial na obtenção do resultado: “alinhamento entre Governo e iniciativa privada”… Todo mundo sabe que riscos, Custo Brasil e trabalho duro ficam a crédito dos produtores (e o Governo? Ah!, o Governo…).

Nota: Reprodução de texto publicado pelo autor no blog BioAgroEnergia do portal Exame.com.

25-04: O preço do etanol vai diminuir?

As linhas: ” O pacote de benefícios para o setor sucroalcooleiro não é garantia de redução no preço do combustível. A afirmação é da presidente Dilma Rousseff, que disse nesta terça-feira (23) não ser possível prever como o mercado vai reagir às medidas do governo….O Executivo zerou a cobrança de PIS/Cofins sobre o combustível, hoje equivalente a R$ 0,12 por litro de etanol. A renúncia fiscal com o fim do tributo será de R$ 970 milhões em 2013…. O ministro Guido Mantega (Fazenda) também não garantiu o repasse dos preços ao consumidor. ‘Não quer dizer que o setor vai repassar necessariamente. Estamos condicionando [os incentivos] ao aumento da oferta, porque aí o preço vai ser reduzido.’ Dilma disse ainda que o governo vai aumentar de 20% para 25% a proporção da mistura de álcool anidro na gasolina porque a produção de etanol foi maior e porque é ‘um mecanismo muito tranquilo de regulamentação’ “. (Fonte: Folha de São Paulo, logo depois do anúncio de medidas que devem auxiliar a curto prazo o setor sucroalcooleiro)

As entrelinhas: Pelo menos desta vez Dilma e Mantega não estão vendendo ilusão ao consumidor final. A realidade é esta – o Governo toma mais uma medida de desoneração para proteger a indústria e atrair novos investimentos, particularmente para a produção de etanol. Os benefícios vão ficar na cadeia produtiva, muito carente deles, e até na linha de distribuição. Mas não vão chegar aos postos. Com o aumento da mistura de anidro para 25% a partir de 1º. de  maio o setor tem armas para minorar sua difícil situação de margens, particularmente em uma safra onde os preços de açúcar não estão famosos. Não sabemos até onde o caixa do Governo vai aguentar tanta desoneração pontual – seria muito menos custoso e mais eficiente fazer uma reforma tributária abrangente e pronto. Mas isto se discute desde o tempo de D. Pedro e nunca se chega a lugar algum! Porém, este não é assunto para agora. Vamos aproveitar este momento e não esperar que os preços de gasolina e etanol caiam na ponta final, ou seja, os tanques de nossos veículos.

Nota: Reprodução do post “Etanol – finalmente enfrentando a realidade”, publicado pelo autor no blog BioAgroEnergia, hospedado em Exame.com.