13-08: Porque Dilma vai ser reeleita

399113_429606423741052_337275876_nAs linhas: ” Depois de uma queda de 35 pontos percentuais na aprovação de seu governo, a presidente Dilma Rousseff teve uma ligeira recuperação, segundo pesquisa Datafolha. O índice dos que consideram o governo ótimo ou bom subiu de 30% no final de junho, no auge dos protestos, para 36% agora. A aprovação a Dilma é maior entre os mais pobres. Entre os que ganham até dois salários mínimos, 41% aprovam o governo. Entre os mais ricos, aqueles que ganham acima de dez salários mínimos, a aprovação tem o menor índice (29%), mas foi nessa faixa que Dilma teve o maior crescimento entre aqueles que consideram a sua gestão ótima/boa. O aumento foi de oito pontos percentuais. O ápice da aprovação de Dilma ocorreu em março, quando 65% consideravam a sua gestão ótima ou boa. (Fonte: Folha de São Paulo/UOL)

As entrelinhas: A Presidenta Dilma Rousseff vai ser reeleita nas eleições majoritárias de 2014 por uma combinação de motivos: 1. não tem adversário – a oposição no Brasil deixou de existir faz muito tempo; 2. em política não existem santos e os governos do PSDB, principal adversário do PT nas últimas eleições, vão ser “triturados” a partir de agora (vide caso Siemens/CPTM/Metrô em São Paulo); 3. as “Bolsas Tudo” continuam a alimentar o Brasil que faz a diferença na hora do voto; 4. o brasileiro tem memória curta (ou quase nenhuma); 5. o fantasma (fantasminha camarada) do mensalão vai estar esquecido; 6. as manifestações de junho se descaracterizaram por completo e não parece haver campo para outros movimentos com tal força; 7. a seleção brasileira vai fazer bonito na Copa, mesmo que não vença; 8. a candidatura de Aécio Neves não vai decolar; 9. Marina Silva não tem dinheiro para fazer uma campanha que ameace a estrutura financeiro-mercadológica do PT; 9. Eduardo Campos, de Pernambuco, não cativa o eleitorado do poderoso Sul-Sudeste brasileiro; 10. Lula tem o corpo fechado.

Nota: estas dez razões podem ser desfeitas apenas e tão somente se o PMDB descolar-se do governo Dilma e encontrar um candidato tipo Michel Temer que tenha forças para se candidatar. Então, e só então, a corrida pode ficar parelha. Nossa democracia ainda é personalista. Aí reside a dificuldade de ver programas de governo sendo debatidos por partidos políticos, como ocorre nos EUA, com democratas e republicanos, no Reino Unido com trabalhadores e conservadores, e assim por diante.

Foto: Dilma Rousseff pela Agencia Brasil

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11-07: Manifestações sindicais mudam o rumo dos protestos

11julhoAs linhas: “Atualmente, os sindicatos usam ao máximo sua capacidade de barganha e atuam no limite da chantagem para viabilizar seus interesses. Não há nenhuma perspectiva ideológica ou política para a construção de uma agenda propositiva. Além disso, os sindicatos só abandonariam a base aliada em dois casos: ou se fossem acolhidos pela oposição, o que é improvável, ou se a situação econômica do país se degradasse a tal ponto que as lideranças tivessem de se opor ao governo para manter sua legitimidade.” (cientista político Milton Lahuerta, da  Unesp, em BBC Brasil)

As entrelinhas: CUT, CGT, Força Sindical gozam hoje da simpatia da população em um grau próximo da classe política. Carisma zero, mas uma capacidade de aglutinação bastante forte. Às propostas que beneficiam apenas às suas classes, sem qualquer concepção de proteção à sociedade, foram agregadas muitas das demandas que levaram recentemente a população às ruas. São os órfãos do ex-Presidente e sindicalista metalúrgico Luiz Inácio “Lula” da Silva, ora dedicado a palestras no Exterior e aparente candidatura a Premio Nobel da Paz. Porém mudam a história das manifestações – estamos falando de um leque enorme de sindicatos de vários setores, sob o guarda chuva “profissional” das centrais sindicais. Em cada estado, em cada cidade, os movimentos tiveram andamento diferenciado, variando de demonstrações pacíficas e organizadas para confrontos com as forças policiais. Um dia de apreensão – consequências a serem seguidas.

Atualizado em 12-07: noticiado exaustivamente que muitos dos “sindicalistas manifestantes” foram contratados por valores variando entre R$ 50,00 e R$ 70,00, o que não é novidade nenhuma em se tratando de contratação de claques. Gostaria de saber qual é o critério usado para se pagar 50 ou 70. Será a capacidade vocal do escolhido medida em decibéis? A conferir…

Foto: bahianegócios.com.br

30-06: Plebiscito – a grande barbeiragem*

barbeiragemAs linhas: “ A estratégia do governo Dilma Rousseff para dar uma resposta à onda de protestos pelo País foi chamada de ‘barbeiragem’ pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antigo defensor da ideia, o petista queixou-se a aliados da forma ‘atabalhoada’ como foi gestada a proposta da convocação de uma constituinte exclusiva para discutir a reforma política, sem uma discussão prévia com o Congresso. Mais ainda, do recuo da iniciativa apenas um dia depois. As informações foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo. “ (Fonte: Portal Terra)

As entrelinhas: Frustrada a ideia inicial da convocação de uma constituinte, o Governo (leia-se Presidente Dilma e Ministros Cardozo, da Justiça e Mercadante, da Educação) fixa-se na intenção de chamar um plebiscito para se votar a reforma política. Eles sabem que isto é impossível de ser realizado na prática, pelo principal motivo de que o tema é muito complexo para ser resolvido por sins ou nãos. Qual parcela de nosso eleitorado, por mais que se tente um processo de doutrinação, consegue entender o sistema de voto distrital, ou por listas, ou misto? Além disto estaria destruindo a relação já deteriorada do Executivo com o Legislativo (pois compete ao Congresso legislar sobre o tema). Dizendo que está consultando o TSE sobre a possibilidade de realizar tal ato temos aí mais uma tentativa do Governo, com sua popularidade em queda livre, empurrar o “mico” para os ombros dos outros e tentar melhorar sua imagem. Não é este o caminho para responder aos clamores legítimos da população que está nas ruas. Neste ponto o governador Alckmin foi muito mais ligeiro, politicamente falando: anunciou uma lista importante de corte de gastos do Governo estadual. Claro que todos vamos perguntar “por que só agora, que foi apertado pelas ruas?” Mas pelo menos está se movendo em direção aos pedidos da população. Fica aqui o apelo: Não ao plebiscito!

* Barbeiragem: s.f. Bras. Ação de conduzir inabilmente um veículo. (Dicionários online de Português)

Foto: esportes.r7.com